domingo, 7 de fevereiro de 2010

HAFIZ (1325-1390)

Chama al-Din Muhammad Hafiz nasceu em Chiraz, em 1325. Foi poeta lírico persa, era exímio no gazel (espécie de ode), professor de exegese do Alcorão e adepto do sufismo. De profunda educação religiosa, foi professor e escritor de teologia islâmica da Pérsia e um dos grandes poetas líricos do mundo literário árabe. Nomeado poeta da corte, teve durante certo período a proteção de vários governantes de Chiraz, que criaram para ele uma cátedra de exegese islâmica. Posteriormente caiu em desgraça (1368) e ficou praticamente o resto da sua vida fora dos círculos do poder. Sua obra ficou caracterizada pelo amor à natureza e aos prazeres do vinho e do amor, as imagens incomuns e as exatas descrições da vida cotidiana da época. Sua obra intitulada Diwan, abrangeu mais de 500 poemas líricos curtos, chamados gazéis na tradição poética islâmica. Morreu em sua cidade natal, Chiraz em 1390, pequena cidade elamita situada ao pé dos montes Zagros.
Místico e romântico, foi a grande voz lírica e personalizada da poesia persa e tornou-se o autor lírico mais admirado fora do seu país e que inspirou muitos dos poetas posteriores do mundo islâmico. Em suas obras uniu temas místicos à inspiração báquica e à exaltação da beleza.

POEMAS DE HAFIZ

Um dia, o sol admitiu:
Sou apenas uma sombra,
quisera poder mostrar-te a infinita incandescência
que lançou minha imagem brilhante.
Quisera poder mostrar-te,quando você se sentir só ou na escuridão,
a surpreendente luzdo seu próprio ser.

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A tarefa mais difícil ao caçar-te, Deus,
É usar aquele arco e aquelas flechas que déste ao meu coração.
Eles são feitos de simples água.
Eu miro a uma longa distância para o Sol.
Hafiz, quem pode entender o profundo absurdo
de todo o esforço neste caminho.
Porque não colocar esse antigo dilema do outra maneira.
Escute: Não foi apenas uma vez em nossa história
que uma formiga saiu e capturou um elefante com apenas uma mão.
Isso não te diz alguma coisa nova?
Talvez não
Este trabalho de ensinar não é fácil.

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Os olhos do sol estão pintando campos novamente.
Suas chicotadas com golpes precisos são arrebatadoras através da terra.
Uma grande paleta de luz abraçou esta terra.
Hafiz, se apenas um pouco argila e água
Misturados na tigela Dele
Pode produzir tais requintados aromas, vistas,
Músicas e formas rodopiantes.
Que maravilhas indizíveis devem aguardar com
O começo da revelação do infinito número de pétalas que é a alma.
Que emoção irá renovar o seu corpo
Quando todos começarmos a ver
Que o coração Dele reside em Tudo?
Deus tem uma raiz em cada ato e criaturadas quais
Ele extrai sua misteriosa vida Divina.
Os olhos Dele estão pintando campos novamente.
O amado com Suas próprias mãos está cuidando,
Emergindo como uma criança preciosa,Ele mesmo em você.

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Um bilhão de vezes Deus tornou o homem Nele mesmo.
Você fica na fila para o presente mais elevado
Pois a generosidade Dele não pode acabar.
Mas é melhor trazer um instrumento com você
Enquanto espera no deserto frio,
E fazer alguns sons suaves
Para acompanhar o balanço dos braços das palmeiras
que de nosso fogo, estão lançando silhuetas contra a cortina do céu.
Lembre o Amigo do seu desejo, e grande paciência.
Um bilhão de vezes Deus tornou o homem de volta em Si mesmo.
Nós todos permanecemos em fila
Para o mais elevado presente.

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A Morte é um favor para nós,
mas nossas balanças perderam seu equilíbrio.
A impermanência do corpo deveria dar-nos grande clareza,
aprofundando em nossos olhos e sentidos a maravilha
desta misteriosa existência que partilhamos e pela qual
certamente estamos apenas passando.
Se eu estivesse na Taberna essa noiteHafiz pediria bebidas
e enquanto o Mestre enchesse os copos,
eu seria lembrado que tudo o que sei da vida e de mim próprio
é que nos somos apenas um vôo de vinho dourado entre seu jarro e seu copo.
Se eu estivesse na Taberna essa noitepagaria uma rodada
a todos neste mundo porque o nosso casamento com a
beleza cruel do tempo e do espaço não pode durar muito.
A Morte é um favor para nós, mas nossas mentes perderam seu equilíbrio.
A existência milagrosa e a impermanência da forma
sempre fazem dançar e cantar aos Iluminados.
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O que poderia Hafiz proferir sobre aquele dia
Quando o sol concebeu um homem,
Deu à luz a si próprio como a realidade e a verdade?
Que justiça poderia todo discurso na criação jamais dizer
A respeito daquela esplendorosa manhã
Quando o eterno Um maravilhoso Deixou seu rosto
Reaparecer na forma através da graça?
Há algo que eu vi no interior de Maomé,
Essa é a raiz luminosa de toda a existência,
Independente da noviça dança do tempo
Através de uma única corda do alaúde do infinito.
O que pode até mesmo o amor de Hafiz expressar
Pelo antigo doce homem
Que sempre produz compaixão e ludicidade divina?
O que pode o vórtice do meu humor, perspicácia e gratidão sublimes,
jamais dizer Sobre o pai dos perfeitos,
Quando eles próprios, podem transformá-lo em Deus?
Eu trago presentes hoje dos reis dos peixes, animais, aves, e anjos.
Eu trago presentes hoje dos rios, mares, campos, estrelas,
E de cada alma - que para sempre será!
Amado deixe-nos conhecer O que a luz viu e disse
Quando te descobriu pela primeira vez, e em seguida, saltou e desfaleceu
Em tal risada maravilhosa Que a luz tornou-se Este solo de terra E este céu.
Ó, Eterno, neste dia sagrado sempre presente esqueça sua divina reserva
- Escancare as portas da Taberna.
Dê aos seus sedentos velhacos leais
Uma bebida de sua sagrada vintage,
Livre-nos de nós mesmo, um pouco
Com abençoado conhecimento consumidor do seu Ser Omnipresente.
Nós somos suas noivas ansiosas, por que esconder isso?
Somos mariposas dervixes cantando.
Nossas almas sabem Daquele fogo imaculado que você mantém
Que pertence a nós!
Mesmo a morte não terá poder agora
Para calar Seu nome de bater loucamente em nossos corações.
Viajante, agora não é hora se sentar-se quieto
Pois nada, além de um grande clamor de alegria
E música pode fazer qualquer sentido
Hoje!

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Uma destas noites, um sábio me falou: "É preciso conheceres o segredo daquele que nos vende o vinho."
E ainda: "Não leves nada a sério. O mundo carrega de enormes fardos aqueles que dobram a cerviz."
Depois, estendeu-me uma taça onde o esplendor do céu se refletia tão vivamente que Zuhra se pôs a dançar:
"Filho, segue o meu conselho; não te inquietes com as noites deste mundo. Guarda as minhas palavras: elas são mais raras do que as pérolas"
"Aceita a vida como aceitas essa taça, de sorriso nos lábios, ainda que o coração esteja a sangrar. Não gemas como um alaúde; esconde as tuas chagas"
"Até o dia em que passares por trás do véu, nada compreenderás. Não podem ouvidos humanos ouvir a palavra do anjo"
"Na casa do amor, não te envaideças das tuas perguntas, nem da resposta."
Vinho, ó Saki, mais vinho: as loucuras de Hafiz foram compreendidas pelo Senhor da alegria, Aquele que perdoa, Aquele que esquece...

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